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Em tempo de chuva, apresento-vos um poema dedicado a um acontecimento de invernal envergadura que todos os anos assola a sola dos sapatos mais incautos e enxarca e enxurra até o couro mais ordinário! Falo, claro está, do terrível flagelo que é o suicídio colectivo das gotículas de água, em relação ao qual as autoridades (in)competentes parecem não ligar “isto” (o gesto desejado será correctamente efectuado juntando os dedos indicador e polegar, ostentando bem alto a indignação física representada por este gesto de pura revolta)!…

O seguinte poema faz parte d’ A loja sincera, de Alexandre O’Neill

Chuva

(Que chatice esta chuva!)
Ora, a mim a chuva vai-me como uma luva.

(Enquanto não mudar a lua…)
Vai-me como a luva
que nunca uso.

Estriado de chuva,
já sou eu quem se escorre pela rua.

Vou como uma luva à rua.
(Enquanto não mudar a lua?)


Por outras ocasiões a chuva teria já atormentado o espírito do poeta, como no momento em que este decidiu sair de casa de seus pais, em 1946, após uma “discussão” caricata e aparentemente insignificante, que o autor por diversas vezes reproduziu:

“- Alexandre, leva o guarda-chuva.
– Não é preciso, pai. Não chove.
– Chove. Leva o guarda-chuva.
– Não é preciso, pai.
– Já te disse que levas o guarda-chuva.
– Não levo o guarda-chuva e nunca mais cá apareço…”

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