Skip navigation

Ela chegou quando o sol acordou. Uma aparição matutina por detrás do véu do mundo sensível. De uma frescura milenar, atrevo-me a dizer que era algo parecida com um anjo. Ou como o que um anjo deveria parecer.

A carruagem em que viera partira há muito, num grito ensurdecedor de locomotiva. Ela permanecia de olhar inquieto, observando a velha estação daquela cidade acidental, no meio dos sonhos. A sua figura, de uma imobilidade fulgurante e luminosa, parecia um pouco insegura. Não a senti aproximar-se, apenas dei conta de que preenchia todo o espaço. A sua saia verde e comprida parecia flutuar, o seu cabelo era frágil e um pouco encaracolado, de um castanho vivo, com tons de um cobre muito delicado. E dançava em cima do vento. Não tinha asas, mas envolvia tudo!

No entanto, havia algo de estranho naquele caminhar de veludo. A calma dos seus passos era inquietante e penetrava fundo como uma faca. Mistura algo pecaminosa no olhar, uma figura diabólica num corpo de anjo. Totalidade sufocante, daydreaming.

No sonho da minha distância, vesti o meu melhor sorriso e avancei um pouco…

So speak kind to a stranger
cause you’ll never know
it just might be an angel come
oh knockin’ at your door

Advertisements

2 Comments

  1. Adorei…. Brilhante anti-heroína 🙂 autobiografico?

  2. Todos o são, um pouco…

    Obrigado pelo comment! You are too kind 🙂

    beijinhos


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: