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Sábado quente. Levanto-me preguiçoso, tomo um duche longo, porque gosto de sentir a água escorrer-me pelo corpo, num acto de purificação, estar só assim comigo e não pensar em mais nada. Visto algo igual ao dia que amanheceu quente e ponho um som relaxante: um pouco de Finley Quaye, numa versão fantástica de “Sun is shining”, de Bob Marley. Saio à rua e vejo que está um pouco de vento, como acontece sempre por aqui. Mas um pouco de vento sobre o corpo sabe muito bem. Não volto atrás para me resguardar e enfrento a manhã com um livro de Ana Teresa Pereira, Se Eu Morrer Antes de Acordar. Sentado na mesa do café, folheio as primeiras páginas, distraidamente procurando sentir a leveza do livro branco, com uma figura de Lady Shallot na capa, um retrato pré-rafaelita que representa a fuga da maldição, motivada pelo amor. Sempre o amor…

Passado um pouco, estou de regresso, depois de beber umas páginas encantadas de “Anamese”. Olho o relógio de parede, ponho a tocar mais um pouco de Finley, para fechar o ciclo…

You just survive soldier
and your soul is beautiful…
and your soul is good.

Enquanto isso, procuro significados secretos para as coisas. Pontes, túneis, bolas de cristal, espiritualidades escondidas nas palavras.

Kessi, diz o deus-Sol, aquele que contemplou os mistérios da morte nunca mais deve voltar ao mundo dos vivos. No entanto, eu vou-te fazer entrar num mundo de luz, assim como a tua esposa, e dar-te-ei para sempre um lugar entre as estrelas.

Sinto falta de uns morangos. Para “esquecer as minhas outras vidas”, como diz uma Marisa de Ana Teresa Pereira… Mas não há morangos e corto uma fatia de melancia. Como-a e sei-lhe o significado, como já dizia o mestre: «E comer um fruto é saber-lhe o sentido».

Sinto que nada falta quando pego num pouco na flauta e improviso umas notas de Verão numa descontraída balada reggae. Prefiro não cantar estes versos…

Everyday I feel love
In all my preparation
This happy satisfaction
Is making my decision

 

There’s something missing. Sempre o amor…

 

Love

 

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3 Comments

  1. Estive vai-não-vai para comentar.. incomoda-me sempre fazer comentários quando o texto em causa é tão bom, tão profundo e sabe realçar a magia que o quotidiano nos sabe trazer. Chegam os comentários a ser simplesmente banais, mundanos.
    Como quem diz aquela expressão: “Sabes, o mundo é a tua ostra” e
    alguém responde: “Ah ya pois pois tá certo!”. Não fica bem:D

    Resumindo: adoro quando descreves o quotidiano nessa tua tão típica maneira!

  2. Querido Pedro, tal como o teu amigo fiquei lost for words! Adoro ler-Te assim.

  3. Muito obrigado, Miguel e Sofia!

    Não sei mais que diga… 😉 Muito obrigado, mesmo!! :o)

    😀

    beijinhos e abraços


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