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Descobri de novo O Livro do Desassossego. Coloquei-o na mesa de cabeceira. Faz agora parte da minha leitura nocturna,como um comprimido para dormir (com ou sem copo de água). Antes, tinha como medicamento um poema, todas as noites escolhido à sorte, de um qualquer livro de poesia, retirado da estante, bastante cheia de escritos de toda a espécie. E ainda lá tenho, em cima da mesa de cabeceira do meu quarto, o livro de poemas de Sylvia Plath…

Este livro, escrito por Bernardo Soares, semi-heterónimo (ou personalidade literária, como queiram) de Fernando Pessoa, é, como o próprio afirma, "a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida". É feita de pensamentos dispersos, alguns indecifráveis, outros incompletos. É um livro que eu sorvo aos poucos, pela hora em que o sono teima em chegar. E chega, acompanhado da leitura de palavras sofridas e descrentes, como estas que deixei que a sorte descobrisse:

(…) Viver parece-me um erro metafísico da matéria, um descuido da inacção. Nem olho o dia, para ver o que ele tem que me distraia de mim, e, escrevendo-o eu aqui em descrição, tape com palavras a xícara vazia do meu não me querer. nem olho o dia, e ignoro com as costas dobradas se é sol ou falta de sol o que está lá fora na rua subjectivamente triste, na rua deserta onde está passando o som de gente. Ignoro tudo e dói-me o peito. (…)

Fecho o livro e preparo-me para adormecer…

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3 Comments

  1. Então o desassossego dá-te sono…

  2. O cansaço é que devia dar sono

  3. Não, não quer forçosamente dizer que o desassossego me dê sono (estás a inferir e isso é perigoso hehe)… o sono está antes da leitura (por isso decido ler). E para além do mais, depois de ler o que Bernardo Soares escreve, percebo que "nada vale a pena", como afirmaria Fernando Pessoa mais tarde, num dos seus escritos dispersos (contrariando os célebres versos "tudo vale a pena/se a alma não é pequena")… e então mais vale dormir (e se tiver sorte, sonhar e escapar ao que é real, ao que é cruel, tantas e tantas vezes)

    ou então não e sou uma enorme treta e não sei, nunca soube, nem nunca saberei o que digo…


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