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Tenho saudades dos dias preguiçosos. Tenho saudades. Sinto falta dos dias lentos, sentado a uma esplanada de um qualquer café. Peço algo para comer, para acompanhar a leitura descontraída de um livro já gasto – uma das inúmeras imagens que Ana Teresa Pereira insiste em matar em cada (última) história. Chega a torrada derretida em manteiga (sem mais nenhum adjectivo) e um refresco bem gelado. Sim, porque o Sol cai a pique e abrasa os sentidos todos (mas não mais do que a prosa que leio). A manteiga sabe bem no pão torrado, simetricamente dividido em seis pedaços. Religiosamente, guardo os dois pedaços do meio para o fim, como um ritual ancestral que não pode ser quebrado (como não se deverá nunca partir o espelho mágico de Alice).

O sabor destes dias é indescritível – se não o fosse, a nada saberia. Mas sei-o de cor na cor dos dias longos, como este que imagino. Várias pessoas passam. Apenas as vislumbro longínquas, como figurantes distantes de um filme. Relembram-me a realidade abandonada, em hora confusa e tortuosa.

Parti sem deixar aviso. Ficcionei-me, deixei-me preguiçar e apaguei-me, por fim. Só. Apenas eu. Dia calmo, necessário. Para quando?

Para quando?… 

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5 Comments

  1. Era já para amanhã! Por acaso essas tardes fantásticas de dolce fare niente deixam tantas tantas saudades… também ando a precisar e muito. Mas não posso ir contigo, lá se ia o “calmo” do dia calmo. Mas podemos partilhar o ritual de deixar as duas tirinhas do meio das torradas pro fim!(q raio de mania, eu a pensar q era eu q era verde e tinha antenas… afinal, há mais como eu)…
    Então…pra qdo é? 🙂

  2. Helloooo Xana!! Obrigado pelas lindas palavras! 🙂

    É verdade… às vezes esses dias parecem tão longe, não é? Mas havemos de encontrar as nossas tardes preguiçosas brevemente!:) Porque não? 😉 E esses dias calmos e rituais merecem igualmente ser partilhados, se possível. Já sabes que é sempre bom poder contar com os teus mil (e um) sorrisos contagiantes!

    Aaah… e o ritual acontece pela simples razão de que no meio se encontra a virtude! hehe 🙂 para além disso, é um belo exemplo do grande prazer que se pode tirar das mais pequenas coisas!

    Sooo… Let me just check my schedule… hehe 😉 🙂

  3. Eu não faço a apologia dos dias preguiçosos, simplesmente porque se trata do meu corriqueiro dia-a-dia. Preguiça “is my middle name”, a doçura para mim é a preguiça de ser vil e ser vil não é mais do que a preguiça de ter actos de bondade.
    No entanto também tenho esse hábito de guardar as fatias do meio, não porque a virtude esteja no meio mas porque o defeito está nas extremidades limítrofes (a.k.a. côdea).

  4. Se há algo com que não posso concordar mais é a tradição dos pedaços intermédios da torrada. Há algo inexplicável nessa situação:D

  5. tava eu aki a ler essa tua apologia e sem querer fizeste-me sentir komo se tivesse a viver essa realidade…pois tb eu sinto falta desses dias em que uma pessoa se senta a aproveitar a vida (ou n) sem a mais leve preocupação…infelizmente assim n pode ser e cada vez mais vai ser menos assim.

    um abraço pa ti e k esteja a td a korrer maravilhosamente bem…e ate kk dia kd este fado nus decidir voltar a unir novamente 😉


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