Category Archives: Leituras

Em pleno Dia da Mulher, decidi fazer uma pequena hommage ao sexto oposto, ofereçendo uma pequena selecção criteriosa (o critério foi meu, portanto) de tipos de homens que têm a infelicidade de cair nas malhas (ou será macramé?) do adultério. Esta selecção foi retirada do livro “Guia dos Cornudos”, de Charles Fourier…

Nº 7: CORNUDO PURO E SIMPLES

É um honrado ciumento que ignora a sua desgraça e não se presta a gracejos, pois está isento de bazófia e medidas desastradas contra a esposa e os seus perseguidores. De todas as espécies é a mais louvável.

Nº 13 CORNUDO POR RAZÕES DE SAÚDE

É o que se abstém dos actos da carne em obdiência a prescrições médicas. Pensará então a sua mulher que outro recurso não lhe resta além dos suplentes; e que ao esposo não cabe o direito de ofensa.

Nº 16 CORNUDO SIMPÁTICO

É o que se afeiçoa aos amantes da mulher e deles faz amigos íntimos. Estando de mau humor a sua dama, amuada com um deles, certo é o cornudo ir procurá-lo e dizer-lhe: “Que é feito de você?… Ninguém lhe põe a vista em cima! E nós que andamos tão tristes! Não sei o que tem a minha mulher! Apareça, que há-de ajudá-la a melhorar!”

Nº 51 CORNUDO LOBISOMEM

É o que faz da sua casa uma cidadela inexpugnável, guardando-a melhor do que um eunuco negro às odaliscas. E não vá escapar-lhe alguma vítima não só os amantes da sua mulher brutaliza como também os que lhe são completamente estranhos. Não há, porém, fortalezas insensíveis (disse-o Alexandre pai), desde que a elas chegue uma mula carregada de ouro. Um apaixonado de bolsa farta consegue, portanto, adormecer a sentinela e penetrar na fortaleza deste lobisomem.

Nº 60 CORNUDO VIRTUOSO

É um apaixonado em ciências ou artes que se toma de afecto por todos os Mestres. Se é melómano, basta uma ária de cornamusa para enfileirar o executante nos seus favoritos, deixando que faça intimidade com a sua mulher a quem, de resto, recomenda calorosamente os amantes pelas relações que mantém com a arte. Ela avalia-os, no entanto, sob outros pontos de vista.

Para terminar, deixo-vos um site que compila (!) piadas sobre homens (com agá pequeno, mind you ;o) - Jokesaboutmen

Feliz Dia da Mulher para todas! (e todos…)

;o)

Adquiri há poucos dias um volume de poemas de Alexandre O’Neill intitulado “Anos 70 – poemas dispersos” (Assírio & Alvim, 2005). Ao folhear o livro na livraria, encontrei uma série de poemas “armados sob nome de Arthur Corvelo, o incompreendido d’A Capital“, como nos diz o próprio O’Neill , referindo-se ainda ao personagem-poeta de Eça de Queirós como “precursor do neo-almanaquismo”.

De entre estes poemas, seleccionei o poema “Ofélia”, que apresento aqui acompanhado de uma pintura do Pré-Rafaelita John William Waterhouse, que já tinha descoberto há tempos, graças ao meu relativamente meticuloso processo de “vasculhação ruínica”…

Ofélia

Cantando vai Ofélia pelo rio,
A caminho do nada – e não tem frio!

De flores coberta, ei-la morta de amor,
Olhos espelhando do céu o livor.

- Ofélia, ó triste, quem te segue empós?
- Um amor sobre-humano e um pai atroz…

- Cumpriste, não foi, teu dever de filha?
- E agora não sou mais do que uma ilha…

- De Hamlet a doideira acaso não temias?
- Doido por mim, fazia-me poesias…

O que mais temo, cá no outro mundo,
É o mano Laertes furibundo!

Tremo por Hamlet, meu Príncipe querido!
Temo Laertes, que é tão insofrido…

Eu não quero mais mortes, lá na Dinamarca.
Levo a minha a bordo – e não desembarca!

Assim se expressou, tristíssima, Ofélia,
Baixando a juzante, humanal camélia!

Alexandre O’Neill

Waterhouse - Ophelia
(Ophelia, by John William Waterhouse - 1889)

Post singelamente dedicado à nossa Ofélia, que vai (en)cantando lá para lados do Rio Douro :o )

Peguei no livro Para Morrer, do poeta José Rui Teixeira, e reli algumas passagens. Dessa leitura renovada, à distância de dois anos do dia em que resolvi trazê-lo para casa, seleccionei este poema como meu preferido:

Cala por instantes os murmúrios

da memória e entrega-te à vertigem

dos telhados. Enterra para sempre

os brinquedos que espalhaste

pela infância que tiveste. A tua casa

há-de ser um sepulcro vazio

se ao saíres deixares a porta aberta.

Após isto, tropeço em Equinócio de Outono, o blog do poeta, e descubro que estas palavras fazem parte da “epígrafe” do mesmo…

A Estrela, de Vergílio Ferreira

Li, há umas semanas, o conto A Estrela, de Vergílio Ferreira, graças à minha amiga Xana ("Tens que o ler, é o Pedro que vai buscar a estrela!" :D ). É um conto lindíssimo que nunca tinha tido a oportunidade de ler antes (sim, eu sei… mea culpa).

Esse conto tocou-me muito e, após a leitura, escrevi isto, que partilho e dedico à Xana (thank you!!) e a todas as estrelas que, como ela, teimam (e bem) em brilhar intensamente…

Aquela estrela

                    sou eu…

Caio com ela mergulhando levemente

                   na noite…

Tenho a sua alma brilhante e aperto forte a sua luz

                  contra o meu peito.